Goiânia, 06/01/26
Tribuna Livre Goiás
MUNDO · 03/01/2026

Washington anuncia ação armada em território venezuelano e afirma ter sob custódia o chefe de Estado

Washington declara ofensiva de larga escala e diz ter retirado Maduro do poder, em meio a incertezas internacionais


RS

Miraflores-Caracas

Por Miriam Barbosa.

Os Estados Unidos afirmaram ter conduzido, neste sábado, uma ofensiva militar de grande escala em território venezuelano, operação que, segundo declaração do presidente Donald Trump, teria resultado na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Até o momento, não há confirmação independente dos fatos por organismos internacionais ou por autoridades venezuelanas.

O anúncio foi feito pelo próprio Trump em sua rede social, a Truth Social, onde declarou que forças norte-americanas “realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder”, acrescentando que o casal presidencial teria sido detido e retirado do país por via aérea. O presidente dos EUA informou ainda que a ação contou com a participação de agências federais de aplicação da lei e prometeu detalhar a operação em coletiva de imprensa.

Explosões e relatos de instabilidade em Caracas

Nas primeiras horas do sábado, moradores de Caracas relataram explosões e a presença de aeronaves militares sobre a capital. Testemunhas mencionaram interrupções no fornecimento de energia elétrica e movimentação intensa de tropas em pontos estratégicos da cidade. Fontes regionais indicam que instalações governamentais, bases militares e infraestrutura logística teriam sido atingidas, embora Washington ainda não tenha divulgado oficialmente a lista de alvos nem o escopo exato da operação.


Reação oficial e exigência de comprovação

O governo venezuelano reagiu com veemência, classificando a ação como uma “agressão militar extremamente grave” e denunciando violação da soberania nacional. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou não haver confirmação oficial sobre o paradeiro de Maduro e de Cilia Flores e exigiu que os Estados Unidos apresentem prova de vida dos supostos detidos.

No poder desde 2013, Maduro vinha endurecendo o discurso contra Washington, a quem acusa de promover uma “guerra econômica e política” contra a Venezuela. Os Estados Unidos, por sua vez, reiteram acusações de narcotráfico, corrupção e fraude eleitoral contra o governo venezuelano — alegações rejeitadas por Caracas.


Uma escalada sem precedentes recentes

Caso confirmada, a operação representaria a mais grave escalada militar norte-americana na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989. Nos últimos meses, o governo Trump intensificou ações no Caribe e no Pacífico contra embarcações e redes suspeitas de tráfico de drogas, inserindo a Venezuela no que a Casa Branca descreve como combate a um “narcoestado”.

Especialistas em direito internacional questionam a base legal de uma intervenção unilateral sem autorização explícita do Congresso dos EUA ou mandato multilateral. Aliados de Trump, entretanto, sustentam que a medida seria um passo decisivo contra o crime transnacional e a instabilidade regional.


Repercussão global e riscos regionais

A reação internacional foi imediata e polarizada. Governos latino-americanos expressaram preocupação com a violação da soberania e o precedente aberto pela ação, enquanto parceiros estratégicos de Washington adotaram tom cautelosamente favorável. Organizações multilaterais pediram contenção, transparência e respeito ao direito internacional, alertando para o risco de agravamento da crise humanitária e de um efeito dominó de instabilidade na região.

À medida que versões conflitantes se multiplicam e a verificação independente permanece limitada, o episódio aprofunda a incerteza geopolítica no hemisfério e coloca em xeque os limites do poder e da legalidade nas relações internacionais contemporâneas.


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