Goiânia, 06/01/26
Tribuna Livre Goiás
MUNDO · 03/01/2026

EUA consolidam cerco estratégico à Venezuela em operação gradual contra o governo Maduro

Movimentação militar no Caribe, reforço de bases regionais e coordenação de inteligência ampliam capacidade de ação de Washington sob a justificativa do combate ao narcotráfico


Por Miriam Barbosa.

Ao longo dos últimos meses, os Estados Unidos estruturaram uma operação de cerco estratégico à Venezuela por meio de uma sequência coordenada de medidas militares, diplomáticas e de inteligência. Oficialmente apresentada como uma iniciativa de combate ao narcotráfico e ao crime transnacional, a operação resultou no aumento significativo da presença naval e aérea norte-americana no Caribe e no fortalecimento de bases militares em países aliados da região.

O processo não ocorreu de forma abrupta. Ao contrário, foi marcado por uma progressão calculada, com etapas sucessivas que ampliaram gradualmente o raio de atuação de Washington e reduziram a margem de manobra do governo do presidente Nicolás Maduro.

A primeira fase foi essencialmente discursiva e jurídica. Autoridades norte-americanas passaram a reiterar, em pronunciamentos oficiais, a associação do Estado venezuelano a redes internacionais de narcotráfico. Esse enquadramento permitiu sustentar, no plano legal e diplomático, a intensificação de operações militares sem a necessidade de uma declaração formal de conflito.

Na etapa seguinte, a Marinha dos Estados Unidos reposicionou navios de patrulha, destróieres e embarcações de apoio no Caribe e no Atlântico Sul. As missões de interdição marítima foram ampliadas, com foco em rotas consideradas estratégicas para o escoamento de drogas e para a logística venezuelana, incluindo corredores utilizados pela indústria petrolífera.

Paralelamente, o Comando Sul dos EUA expandiu operações de vigilância aérea. Aeronaves de patrulha marítima, drones e plataformas de inteligência passaram a operar de forma contínua a partir de bases avançadas e do espaço aéreo internacional próximo ao território venezuelano. Esse monitoramento permanente permitiu o mapeamento detalhado de deslocamentos militares, fluxos logísticos e padrões operacionais do governo de Caracas.

Outro eixo central da estratégia foi o fortalecimento da infraestrutura militar regional. Os Estados Unidos aumentaram efetivos, capacidade logística e integração operacional em bases localizadas no Caribe e na América do Sul. Esse movimento reduziu o tempo de resposta e ampliou as opções de ação, desde operações de interdição até eventuais missões de caráter especial.

No campo diplomático, Washington atuou para manter a Venezuela politicamente isolada. O discurso de que o país se tornou um “Estado capturado pelo crime organizado” foi reiterado em fóruns multilaterais, reforçando o regime de sanções e limitando o apoio externo ao governo Maduro.

Analistas ouvidos por veículos internacionais avaliam que a combinação entre domínio informacional, presença militar contínua e pressão econômica configurou um ambiente operacional favorável aos Estados Unidos. A convergência dessas frentes transformou o cerco em uma capacidade concreta de ação, sustentada por superioridade logística e inteligência em tempo real.

Embora o governo norte-americano continue a enquadrar a operação como parte de esforços antidrogas, o alcance e a escala das medidas adotadas indicam um movimento de contenção estratégica mais amplo. O resultado é um redesenho do equilíbrio militar no entorno da Venezuela, com implicações diretas para a estabilidade regional e para o futuro político do governo Maduro.


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