Goiânia, 18/03/26
Tribuna Livre Goiás
BRASIL · 24/01/2026

Aviação brasileira se despede de Constantino Júnior, o homem que aproximou o céu do povo

Fundador da Gol e um dos grandes transformadores do transporte aéreo nacional, empresário mineiro morre aos 57 anos e deixa legado de democratização, eficiência e visão estratégica


Foto: eduardo viana/divulgação gol

Constantino Júnior

Por A Redação

São Paulo, 24 de janeiro de 2026 — O Brasil perdeu neste sábado um de seus mais importantes líderes empresariais do setor aéreo. Constantino de Oliveira Júnior, fundador da Gol Linhas Aéreas Inteligentes e presidente de seu Conselho de Administração, morreu aos 57 anos, em São Paulo, após uma longa e discreta batalha contra o câncer.

Visionário, estrategista e empreendedor de espírito inquieto, Constantino foi mais do que um executivo: foi um transformador da aviação nacional, responsável por romper paradigmas e ampliar o acesso ao transporte aéreo em um país de dimensões continentais.


Uma vida dedicada a encurtar distâncias

Nascido em Patrocínio (MG), em 1968, Constantino cresceu em uma família tradicionalmente ligada ao setor de transportes. Ainda jovem, passou a atuar nas empresas do grupo familiar, experiência que moldaria sua visão prática de gestão e eficiência.

O ponto de inflexão veio em 2001, quando idealizou a criação da Gol Linhas Aéreas. Em um mercado até então restrito e caro, Constantino apostou em um modelo ousado: baixo custo, alta eficiência e tarifas acessíveis. A proposta mudou definitivamente a forma de voar no Brasil.

À frente da companhia como diretor-presidente (CEO) por mais de uma década, liderou a rápida expansão da Gol, sua abertura de capital e decisões estratégicas que marcaram época, como a aquisição da Varig, em 2007 — movimento que redesenhou o mapa da aviação comercial brasileira.

Em 2012, deixou a presidência executiva, mas permaneceu como presidente do Conselho de Administração, posição a partir da qual continuou influenciando os rumos da empresa e do setor.


Empresário, piloto e apaixonado por velocidade

Além da aviação, Constantino cultivava outra paixão: o automobilismo. Competiu como piloto em categorias nacionais, onde era reconhecido pelo espírito competitivo e pela disciplina — traços que também marcaram sua atuação empresarial.

Discreto na vida pessoal, fazia parte da família Constantino, referência histórica no transporte brasileiro. Era casado e deixa filhos. Informações sobre netos não foram divulgadas publicamente.


A causa da morte

Constantino Júnior faleceu por complicações decorrentes de um câncer, doença que enfrentava há anos de forma reservada, longe dos holofotes. O óbito ocorreu em um hospital da capital paulista, na manhã deste sábado.


Nota oficial da Gol e comoção interna

Em comunicado, a Gol Linhas Aéreas Inteligentes lamentou profundamente a perda de seu fundador e destacou o legado humano e empresarial deixado por Constantino. A companhia ressaltou sua visão estratégica, sua liderança próxima e o impacto duradouro de seus valores na cultura corporativa da empresa.

Internamente, a morte do fundador gerou forte comoção entre funcionários, executivos e parceiros, que o descrevem como um líder acessível, direto e profundamente comprometido com o Brasil.


Velório e homenagens

Até o momento, a família e a Gol ainda não divulgaram oficialmente os horários e o local do velório e do sepultamento. A expectativa é de que as informações sejam anunciadas nas próximas horas.

Fontes do setor indicam que a companhia estuda homenagens institucionais e manifestações públicas em memória do fundador, além de comunicados internos aos colaboradores no Brasil e no exterior.


Um legado que permanece no ar

A história de Constantino Júnior não se mede apenas em aeronaves, rotas ou resultados financeiros. Seu verdadeiro legado está na mudança de mentalidade que impôs ao setor aéreo: a convicção de que voar poderia — e deveria — ser mais democrático.

Ao aproximar o céu das pessoas comuns, Constantino ajudou a encurtar distâncias físicas, econômicas e simbólicas em um país marcado por desigualdades geográficas. Sua ausência deixa silêncio nos hangares, mas sua visão segue viva em cada decolagem.



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