ECONOMIA · 30/01/2026
Em fórum global, Caiado critica Lula amplia projeção nacional
Na Latin America Investment Conference, governador de Goiás defende governança, critica a condução econômica do governo federal e amplia protagonismo nacional ao lado de Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Romeu Zema
Rede social /Ronaldo Caiado
Por Miriam Barbosa.
Em um ambiente dominado por investidores globais, economistas e dirigentes do setor privado, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assumiu protagonismo político e institucional durante a 13ª Latin America Investment Conference, realizada em 28 de janeiro de 2026, no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo. O evento, referência no debate sobre economia e investimentos na América Latina, reuniu lideranças públicas e privadas sob o tema “Construindo o futuro”.
Caiado participou do painel “Governança, Liderança e Desenvolvimento Nacional: Caminhos para o Brasil do Futuro”, ao lado dos governadores Romeu Zema (Minas Gerais), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Helder Barbalho (Pará), com mediação da economista-chefe do Santander Brasil, Ana Paula Vescovi. Em outro momento da programação, o governador de Goiás também dividiu espaço com Ratinho Júnior (Paraná) no painel “Motores do Crescimento: Governadores do Brasil em Foco”, reforçando o papel dos estados como vetores de estabilidade e crescimento econômico.
Crítica ao Planalto e defesa da governança
Embora a conferência tenha mantido um tom técnico e voltado ao mercado, Caiado imprimiu um viés político claro ao seu discurso. Em suas intervenções e, principalmente, nas entrevistas concedidas ao final do evento, o governador goiano fez críticas diretas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associando o atual cenário nacional a um quadro de colapso de governabilidade.
Para Caiado, o Brasil enfrenta hoje uma crise que vai além dos indicadores econômicos e atinge o cerne da confiança institucional. Segundo ele, não basta vencer eleições; é necessário saber governar diante de um país marcado por insegurança jurídica, instabilidade fiscal e perda de credibilidade.
“Não é só ganhar a eleição. O problema é como governar o país diante desse colapso instalado de governabilidade pelo Lula”, afirmou.
Em tom ainda mais incisivo, Caiado questionou promessas históricas do presidente, especialmente no combate à fome, tema recorrente nos discursos de Lula ao longo de décadas.
“Será possível que, até hoje, ele fala que vai combater a fome e não consegue? Há 40 anos ele fala isso e não resolve. Qualquer um de nós resolve isso em dois anos de mandato”, disse o governador, em uma das falas mais comentadas nos bastidores do evento.
Estados como contraponto ao governo federal
Ao longo da conferência, os governadores presentes reforçaram o papel dos estados na criação de ambientes favoráveis ao investimento. Romeu Zema destacou os gargalos do setor energético como entraves ao crescimento industrial; Eduardo Leite defendeu equilíbrio entre responsabilidade fiscal e políticas sociais; Ratinho Júnior apresentou resultados do Paraná nas áreas de educação, segurança e atração de capital privado.
Nesse conjunto, Caiado se destacou ao apresentar a experiência de Goiás como um modelo baseado em governança, previsibilidade institucional e segurança jurídica, atributos considerados decisivos para o capital produtivo. Sua postura consolidou a leitura de que os governos subnacionais vêm assumindo papel cada vez mais relevante diante das fragilidades da condução federal.
“Fumaça branca” e o debate presidencial
Um dos momentos mais simbólicos do evento ocorreu quando Caiado utilizou a expressão “fumaça branca” para se referir ao processo interno do PSD na definição de seu candidato à Presidência da República em 2026.
"Vamos esperar quando o Kassab vai soltar a fumaça branca para saber quem vai ser ungido com a candidatura”, disse Caiado. A analogia ao conclave do Vaticano, onde a fumaça branca indica consenso, foi usada para ilustrar o fim das negociações internas e a união do partido em torno de um nome.
Segundo Caiado, o PSD tem prazo até julho de 2026, antes do início das convenções partidárias, para definir o candidato. Ele reforçou que não há projetos individuais dentro da sigla.
“No PSD não existe candidatura individual. Quem for indicado terá o apoio dos demais”, afirmou, acrescentando que a decisão caberá ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
Projeção nacional
Ao final da programação, Caiado concedeu entrevistas a veículos como CNN e Veja, ampliando a exposição de Goiás em um dos principais fóruns econômicos do continente. Sua participação consolidou a imagem de um governador que transita com desenvoltura entre o mercado e o debate político, posicionando-se como voz crítica ao governo Lula e defensor de uma agenda liberal, fiscalmente responsável e orientada ao setor produtivo.
Mais do que um encontro de economistas, a Latin America Investment Conference reafirmou-se como espaço estratégico de articulação entre mercado e poder público. Nesse cenário, a presença e o discurso de Ronaldo Caiado indicam que Goiás busca ocupar um lugar central nas discussões sobre o futuro econômico e político do Brasil.
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