Goiânia, 06/02/26
Tribuna Livre Goiás
ARTE · 05/02/2026

Alma Negra Viva 2026: a arte que permanece, confronta e atravessa fronteiras

Mostra em Brasília reúne artistas contemporâneos sob curadoria de Paulo Melo, com participação de Hemerson Joca


GLuca

Por A Redação

Na Galeria TBV/LBV, na 915 Sul, Alma Negra Viva 2026 não se apresenta como simples exposição, mas como território. Um espaço onde a arte negra contemporânea se afirma não pela concessão, mas pela permanência; não pelo pedido de escuta, mas pelo confronto direto com a história, a memória e o agora. Ali, estética e política não caminham separadas — fundem-se como linguagem de sobrevivência e criação.

Com curadoria de Paulo Melo, a mostra constrói uma narrativa visual que recusa a neutralidade. Cada obra opera como pensamento encarnado, onde identidade, ancestralidade e futuro se entrelaçam em imagens que falam antes mesmo de serem interpretadas. Não se trata de reunir trabalhos, mas de costurar uma constelação crítica em que o passado pulsa e o presente responde.

Fiel à sua trajetória de valorização de produções atravessadas por densidade social, Paulo Melo conduz uma curadoria que escuta. Escuta a experiência negra urbana, suas camadas, suas fraturas e suas reinvenções. Os artistas reunidos transformam vivência em linguagem estética e fazem da arte um gesto contínuo de resistência simbólica. A Galeria TBV, sob a curadoria de Noys Rocha, amplia esse gesto ao acolher uma exposição que não negocia sua existência — ela ocupa, afirma e permanece.

Nesse campo de forças, o trabalho de Hemerson Joca se apresenta como trajetória consolidada da arte contemporânea brasileira. Com cerca de quatro décadas dedicadas à produção artística, o artista construiu uma carreira marcada por circulação consistente no Brasil e no exterior, com participação em cinco exposições internacionais — a mais recente realizada em Lishentine — além de diversas mostras nacionais, reafirmando a solidez e a relevância de sua pesquisa estética ao longo do tempo.

Com obras expostas em algumas galerias, vale ressaltar as obras que estão no espaço de artes da Vó Belmira, em São Gabriel, Hemerson Joca estabelece diálogo com a série Cogumelos — exibida no espaço dedicado à memória de Vó Belmira — revelando uma poética que nasce do subterrâneo. São formas orgânicas que resistem, crescem e se reinventam em ambientes adversos, metáforas visuais de uma existência que insiste e se transforma.

Para Alma Negra Viva 2026, o artista participa com uma tela de natureza experimental — técnica mista de óleo e plástico derretido. Silenciosa apenas à primeira vista, a obra carrega uma energia latente de regeneração. Suas pinturas recusam o ornamento fácil e afirmam a tela como território de memória coletiva, onde cada gesto pictórico carrega confronto, ancestralidade e permanência.

A exposição conta ainda com trabalhos de outros artistas fundamentais ao discurso curatorial, como Darlan Rosa, cuja obra integra o fundo da apresentação oficial da mostra, reforçando o caráter coletivo, plural e dialógico da narrativa proposta.


Alma Negra Viva 2026 não solicita legitimação. Na Galeria TBV/LBV, a arte negra ocupa o centro do debate contemporâneo — não como recorte temático, mas como eixo estruturante. E, nesse movimento, Hemerson Joca reafirma sua presença como um artista cuja trajetória dialoga com memória, presente e futuro, atravessando fronteiras sem abrir mão de suas raízes.


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