Goiânia, 06/02/26
Tribuna Livre Goiás
ARTE · 06/02/2026

Goiânia estreia no circuito da Bienal de São Paulo com itinerância inédita no MAC Goiás

Mostra da 36ª Bienal chega ao Centro Cultural Oscar Niemeyer com recorte curatorial exclusivo, diálogo com oGoiânia estreia no circuito da Bienal de São Paulo com itinerância inédita no MAC Goiás


Secult

Por A Redação

Goiânia passa a integrar, pela primeira vez, o circuito das mostras itinerantes da Bienal de São Paulo. A capital goiana recebe a etapa inaugural da circulação da 36ª Bienal — “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática” — a partir de 3 de março, no Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC Goiás), no Centro Cultural Oscar Niemeyer. A exposição permanece aberta ao público até 19 de abril, com entrada gratuita.

A chegada da Bienal à cidade é resultado de uma parceria entre a Fundação Bienal de São Paulo e o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Secretaria da Retomada. Consolidado há mais de uma década, o programa de itinerâncias amplia o alcance da Bienal ao reconfigurar parte de seu conteúdo para diferentes contextos urbanos e institucionais. Em 2026, a circulação prevê passagem por mais de dez cidades no Brasil e no exterior.

Em Goiânia, a exposição assume caráter próprio. O recorte curatorial, assinado por Thiago de Paula Souza, propõe um diálogo direto com o território goiano e incorpora artistas vinculados ao estado, como Sallisa Rosa e o coletivo Sertão Negro. O conjunto reúne ainda obras de participantes da 36ª Bienal, entre eles Adama Delphine Fawundu, Akinbode Akinbiyi, Alberto Pitta, Ernest Cole, Gervane de Paula, Hajra Waheed, Julianknxx, Juliana dos Santos, Malika Agueznay, Márcia Falcão, Ming Smith, Oscar Murillo e Song Dong.

Além da mostra, a itinerância inclui uma programação formativa paralela, com ações educativas, capacitação de equipes locais, encontros presenciais e virtuais, visitas mediadas, palestras e atividades voltadas a estudantes e professores. A proposta reforça o papel da Bienal como plataforma de circulação de ideias e de aproximação entre produção artística contemporânea e públicos diversos.

Para a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, a realização da itinerância em Goiânia reflete uma política cultural construída de forma integrada. Segundo ela, o evento confirma a capacidade do estado de sediar iniciativas de alcance nacional e internacional, ao mesmo tempo em que movimenta a cadeia produtiva da cultura, estimula o turismo e fortalece a economia criativa local.

Na avaliação do presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro, a chegada a Goiás marca um avanço no compromisso institucional de descentralização do circuito artístico brasileiro. A circulação, afirma, permite que as obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo sigam reverberando em novos contextos, ampliando o acesso e o encontro com diferentes públicos.

Thiago de Paula Souza observa que, fora de São Paulo, as obras passam a conviver com outras temporalidades e paisagens. No MAC Goiás, a mostra não se apresenta como reprodução da edição paulistana, mas como uma reconfiguração sensível ao espaço e às práticas locais, ampliando as camadas de sentido do conceito que orienta a Bienal.

Inspirada no poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo, a 36ª Bienal propõe uma reflexão sobre a humanidade como exercício contínuo de escuta, deslocamento e negociação. O projeto curatorial é conduzido por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em colaboração com uma equipe internacional de cocuradores, e conta com realização via Lei de Incentivo à Cultura, com apoio institucional e patrocínio de grandes parceiros.

Instalado em edifício projetado por Oscar Niemeyer, o MAC Goiás abriga um dos acervos mais relevantes de arte moderna e contemporânea do estado, com cerca de 1.250 obras. A instituição se consolida, com a itinerância, como ponto estratégico no mapa das grandes exposições no país.


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