MUNDO · 19/02/2026
Congresso do Peru destitui presidente José Jerí após quatro meses e aprofunda crise institucional
Parlamento invoca “incapacidade moral” e encerra mandato em meio a denúncias de falta de transparência, aprofundando a instabilidade política no país andino
Foto Divulgação / Facebook de José Jerí
Por Por Miriam Barbosa
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente José Jerí, encerrando um mandato de pouco mais de quatro meses e ampliando a instabilidade política que marca o país andino nos últimos anos. A decisão foi tomada por maioria expressiva, com base na figura constitucional da “incapacidade moral permanente”.
A remoção ocorreu após a divulgação de informações sobre encontros não registrados na agenda oficial do então presidente com empresários estrangeiros ligados a interesses econômicos estratégicos. O episódio desencadeou forte reação no Parlamento, que apontou quebra de transparência e risco à lisura administrativa como fundamentos centrais para a destituição.
Jerí negou irregularidades e afirmou que as reuniões não tiveram caráter decisório nem impacto sobre atos de governo. Ainda assim, parlamentares sustentaram que a omissão dos compromissos comprometeu a confiança institucional no chefe do Executivo, argumento suficiente para viabilizar a queda do presidente em um Congresso historicamente assertivo frente ao Palácio do Governo.
A destituição reforça o protagonismo do Legislativo peruano e evidencia o uso recorrente do conceito de incapacidade moral, um dispositivo de interpretação ampla que tem sido aplicado repetidamente para interromper mandatos presidenciais. Analistas apontam que o mecanismo, embora previsto na Constituição, tornou-se um fator permanente de instabilidade, ao permitir remoções sem necessidade de condenação judicial ou comprovação objetiva de crime.
O episódio ocorre em um contexto de desgaste prolongado das instituições políticas do Peru, marcado por sucessões rápidas no comando do Executivo, crises entre os Poderes e dificuldades de governabilidade. Desde a última década, o país tem registrado uma das maiores rotatividade presidenciais da América Latina, cenário que pressiona a confiança pública e afeta a previsibilidade política.
Com a saída de José Jerí, o país entra novamente em um período de transição, enquanto o Congresso assume papel central na condução institucional até a definição dos próximos passos políticos. A destituição desta terça-feira consolida mais um capítulo da crise estrutural peruana, na qual a fragilidade do equilíbrio entre Executivo e Legislativo segue como um dos principais desafios à estabilidade democrática.
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