Goiânia, 25/02/26
Tribuna Livre Goiás
SAÚDE · 25/02/2026

Goiás ultrapassa 330 implantes cocleares pelo SUS e consolida centro estadual como referência nacional

Procedimento de alta complexidade realizado no Crer garante cirurgia, acompanhamento e reabilitação auditiva integral


Sofia Santiago

Jéssica Lorrane Prego Silva durante sessão de reabilitação auditiva no Crer

Por Por Miriam Barbosa

Goiás superou a marca de 330 cirurgias de implante coclear realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2012, segundo dados do governo estadual. O procedimento é concentrado no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), única unidade habilitada no estado para executar a cirurgia de alta complexidade e o acompanhamento completo dos pacientes.

Vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, o Crer integra a rede pública de atenção especializada e oferece atendimento integral, que inclui diagnóstico, avaliação multiprofissional, cirurgia e reabilitação auditiva. O modelo adotado segue protocolos clínicos reconhecidos nacionalmente e posiciona Goiás entre os estados com estrutura consolidada para o atendimento gratuito à população com deficiência auditiva.

A ampliação do acesso ocorre em um contexto de alta demanda. De acordo com o Relatório Mundial sobre Audição, elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Brasil tem cerca de 2,2 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva. O documento destaca o SUS como instrumento central para a redução das desigualdades no acesso à tecnologia assistiva.

Reabilitação além da cirurgia

A trajetória da atleta Jéssica Lorrane Prego Silva, de 34 anos, ilustra o impacto do serviço. Nascida com deficiência auditiva decorrente de rubéola contraída pela mãe durante a gestação, ela utilizou aparelhos auditivos desde a infância. Em 2019, realizou o implante coclear no ouvido esquerdo no Crer. Quatro anos depois, passou pelo procedimento no ouvido direito.

Integrante do Centro de Referência Paralímpico – Núcleo Goiás, Jéssica afirma que a cirurgia representou uma mudança decisiva em sua autonomia. “Ainda estou em reabilitação, mas hoje consigo compreender melhor os sons, me comunicar com mais segurança e ter mais independência”, relata.

Segundo a fonoaudióloga Giane Passos Lozi, a cirurgia é apenas uma etapa do processo. “O som captado pelo implante coclear é diferente daquele amplificado pelo aparelho auditivo convencional. O cérebro precisa reaprender a interpretar os estímulos sonoros, o que exige acompanhamento contínuo e individualizado”, explica.

Diagnóstico precoce é determinante

Para a médica otorrinolaringologista Pauliana Lamounier, coordenadora do Departamento de Implante Coclear do Crer, o diagnóstico precoce é decisivo, sobretudo na infância. “O bebê que não passa no teste da orelhinha deve ser encaminhado o quanto antes para um centro especializado. Primeiro avaliamos o benefício do aparelho auditivo. Se não houver acesso adequado aos sons da fala, o implante passa a ser indicado”, afirma.

O implante coclear é recomendado para pessoas com perdas auditivas severas ou profundas que não apresentam resposta satisfatória aos aparelhos convencionais. Diferentemente da amplificação sonora, o dispositivo estimula diretamente o nervo auditivo, ampliando as possibilidades de comunicação e inclusão social.

No Crer, a decisão pelo implante é tomada por uma equipe multiprofissional composta por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais. “O paciente é acompanhado desde o diagnóstico até o pós-operatório e a reabilitação. É um processo contínuo e monitorado”, explica a supervisora de Reabilitação Auditiva da unidade, Jaqueline Borges.

Ao consolidar um serviço público de alta complexidade com cobertura integral, Goiás amplia o acesso à reabilitação auditiva e reforça o papel do SUS como política estruturante de inclusão e cidadania.


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