ARTE · 26/02/2026
Arte que atravessa fronteiras: Paulo Melo transforma memória, imagem e sonho em linguagem universal
Exposição reúne quase três décadas de trajetória do artista em obras que fundem fotografia, pintura e imaginação, criando uma cartografia poética do mundo contemporâneo
Hemerson Carlos
Por Por Miriam Barbosa
Sob a curadoria de Toninho de Souza, a exposição Around The World – Ao Redor do Mundo apresenta ao público uma síntese madura da trajetória do artista plástico Paulo Melo, que há quase três décadas constrói uma obra marcada pelo diálogo entre fotografia, pintura e imaginação.
Em cartaz na Galeria Rubem Valentim, no Espaço Cultural Renato Russo, a mostra reúne trabalhos desenvolvidos a partir de um vasto acervo pessoal de imagens produzidas ao longo de 40 anos de viagens pelo Brasil e por diferentes continentes. O resultado é uma cartografia sensível do mundo — um território poético onde culturas, símbolos e paisagens se entrelaçam em narrativas visuais que ultrapassam o registro documental e se afirmam como experiência estética.
A espinha dorsal da exposição é a técnica Fine Art Painting (FAP), desenvolvida pelo próprio artista. O processo nasce da fotografia, que é digitalizada, manipulada e reinterpretada, para depois ser retrabalhada manualmente com tinta acrílica e óleo. Essa técnica mista dissolve as fronteiras entre o real e o imaginário, convertendo o registro em matéria sensível. “Paulo Melo transforma a imagem em experiência poética. Sua obra cria pontes entre tempos, territórios e afetos”, observa o curador Toninho de Souza.
Artista plástico desde 1995, Paulo Melo encontrou nas artes visuais um caminho definitivo ao conquistar o Prêmio Fotográfico Kodak — marco decisivo de sua trajetória. Desde então, realizou exposições de destaque, entre elas o projeto Isto é Brasil Ano 2000, contemplado pela Lei Rouanet e reconhecido com o selo Brasil 500 Anos. É também fundador da revista BSB People, criada em 2001, espaço por meio do qual ampliou sua atuação cultural e artística.
Na exposição, o público é convidado a percorrer universos simbólicos como o da obra Brasil Sincrético, inspirada na miscigenação do povo brasileiro. A composição traz como pano de fundo a Igreja da Pampulha, projeto emblemático de Oscar Niemeyer, e dialoga com a Congada — manifestação religiosa popular do povoado de Milho Verde, em Minas Gerais.
Outro momento de lirismo é Venice, obra em que a fusão de dois canais de Veneza dá origem a uma gôndola que parece carregar a própria cidade. Já em Pescador de Almas, a inspiração vem das praias de Fortaleza, cidade natal do artista, revelando a dimensão afetiva que atravessa sua produção.
O tempo também surge como conceito e matéria artística. Em Nepal Infinitus, apresentada anteriormente na mostra Tempo, Vida e Arte, Paulo Melo constrói o símbolo do infinito a partir das montanhas próximas à Cordilheira do Himalaia, no vale de Nagarkot, em Katmandu, no Nepal.
Para o curador Toninho de Souza, a mostra materializa um sonho compartilhado: levar a arte para além das fronteiras geográficas e simbólicas. “A obra de Paulo Melo fala uma linguagem universal. Ela nasce da experiência individual, mas alcança o coletivo”, afirma.
Around The World – Ao Redor do Mundo não é apenas uma exposição. É um convite à travessia do olhar — um percurso onde memória, cultura e imaginação se encontram para reinventar a forma de ver o mundo.
Tags: #ArteContemporânea #PauloMelo #AroundTheWorld #ArteSemFronteiras #TribunaLivre #JornalismoCultural #CulturaBrasileira #BrasíliaCultural #FineArtPainting #ExposiçãoDeArte
Leia também
.jpg)



.jpg)





