Goiânia, 13/04/26
Tribuna Livre Goiás
ARTE · 08/04/2026

Universidade Católica de Brasília (UCB) recebe a Exposição Do Analógico ao Digital do artista Hemerson Joca.

Em exposição na Biblioteca Central da UCB, a mostra transforma o espaço acadêmico em um ambiente de reflexão sobre arte contemporânea, tecnologia e formação humana


GLuca

Por Miriam Barbosa.

A Universidade Católica de Brasília abre, neste mês de abril, o espaço cultural da Biblioteca Central para receber a exposição “Do Analógico ao Digital”, do artista Hemerson Joca. A mostra entre os dias 6 e 30 de abril,  convida estudantes, professores e visitantes a transitar por diferentes técnicas, linguagens e suportes, aproximando arte, memória e tecnologia dentro do próprio ambiente universitário.

Ao manter um espaço permanente dedicado às artes visuais, a Universidade Católica de Brasília demonstra compreender que a formação acadêmica vai além da sala de aula. Em meio à rotina de estudos, pesquisas e compromissos, a presença da arte dentro da universidade cria pausas, desperta sensibilidades e amplia a maneira de enxergar o mundo. A vida universitária também se constrói no encontro com aquilo que emociona, provoca reflexão e humaniza o cotidiano.

Sob curadoria de Paulo Melo, a exposição reúne obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de Hemerson Joca. O artista construiu sua linguagem a partir da combinação entre pintura, serigrafia, colagem, encaústica, plástico derretido, intervenções digitais e técnicas mistas. Em vez de colocar o analógico e o digital em campos opostos, a mostra revela como essas duas dimensões convivem de forma orgânica dentro da arte contemporânea, mostrando que o gesto manual e a tecnologia podem caminhar lado a lado.

As obras apresentadas reúnem pinturas, relevos, texturas, experiências com matériais e trabalhos digitais que revelam um artista em constante transformação. Em Hemerson Joca, a tela deixa de ser apenas suporte e passa a ser um território vivo, onde cor, densidade, volume e textura dialogam entre si. Suas composições produzem profundidade, movimento e uma sensação de matéria pulsante.

Natural de Palmeiras e radicado entre Brasília e Goiás, Hemerson Joca é artista visual, serígrafo, diagramador e professor. Desde cedo desenvolveu uma relação próxima com o desenho e com a cor. Aos 13 anos, encontrou na serigrafia uma nova forma de experimentar texturas, sobreposições e intensidades cromáticas, elementos que mais tarde se tornariam marcas de sua produção. Desde a década de 1980, constrói uma obra marcada pela mistura de linguagens, materiais e suportes.

Há também, na exposição, uma reflexão delicada sobre o tempo presente. As obras transitam entre elementos orgânicos, figuras humanas e referências tecnológicas que remetem à arte digital, à imagens e à fragmentação da vida contemporânea. Ainda assim, a mostra parece lembrar que, mesmo em tempos acelerados, permanece a necessidade humana de criar, guardar memórias e encontrar significado nas coisas.

Para Hemerson Joca, expor dentro de uma universidade possui um valor simbólico particular. O artista afirma sentir-se honrado por apresentar seu trabalho em um ambiente frequentado por estudantes, professores e pesquisadores. Para ele, aproximar a arte dos jovens é uma forma de incentivar a imaginação, a sensibilidade e o pensamento crítico.


A realização da mostra também passa pelo trabalho cuidadoso de Rejaine Pereira, responsável há mais de 18 anos pela captação de artistas, apoio à montagem das exposições e mediação cultural dentro da biblioteca. Mais do que organizar o espaço, Rejaine constrói pontes entre a arte e a comunidade acadêmica.

Seu trabalho começa muito antes da abertura das exposições, desde a escolha dos artistas até o planejamento de como cada obra ocupará o ambiente. Com sensibilidade e dedicação, ela ajuda a transformar a biblioteca em um espaço que vai além dos livros, tornando-se também um lugar de encontro, convivência e experiência cultural.

Ao longo de quase duas décadas, Rejaine consolidou uma trajetória marcada pelo compromisso com a democratização do acesso à arte. Sua atuação reforça a importância da biblioteca  não apenas como espaço de conhecimento, mas também como lugar de acolhimento, reflexão e circulação de diferentes formas de expressão.

Ao abrir espaço para uma exposição como “Do Analógico ao Digital”, a Universidade Católica de Brasília reafirma seu compromisso com a cultura, com a formação crítica e com a valorização da sensibilidade humana. Mais do que apresentar obras, a instituição oferece à comunidade acadêmica a oportunidade de conviver com a arte e perceber que ela também faz parte da construção do conhecimento e da compreensão do mundo.


Tags: #ArteContemporânea #HemersonJoca #DoAnalógicoAoDigital #PauloMelo #RejainePereira #UCB #UniversidadeCatólicaDeBrasília #ArteBrasileira #Cultura #ExposiçãoDeArte #TribunaLivreGoiás