ARTE · 16/04/2026
36ª Bienal de São Paulo amplia horário na reta final em Goiânia e consolida recorde histórico de público
Mostra no MAC Goiás ultrapassa 20 mil visitantes, aproxima o público goiano da arte contemporânea internacional e fortalece Goiânia no circuito cultural brasileiro
Kamilla Brandão
Por Por Miriam Barbosa
A reta final da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo em Goiânia já tem sabor de despedida, mas também de consolidação histórica. Pela primeira vez, Goiás recebeu uma etapa do programa itinerante da principal mostra de arte contemporânea do hemisfério sul, e a resposta do público transformou a experiência em um marco para a cena cultural do Estado.
Instalada no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, a exposição entra em seus últimos dias de visitação com horário estendido neste fim de semana. Até domingo, 19 de abril, os visitantes poderão percorrer gratuitamente a mostra, que funcionará até as 22h no sábado e no domingo.
A ampliação do horário busca atender a uma procura crescente que surpreendeu até mesmo os organizadores. Desde a abertura, mais de 20 mil pessoas já visitaram a exposição, número que representa o maior público já registrado pelo MAC Goiás desde sua criação.
Mais do que um dado estatístico, o volume de visitantes revela um movimento importante: o interesse do público goiano pela arte contemporânea e a capacidade de Goiânia de sediar projetos culturais de grande escala, capazes de reunir artistas, estudantes, pesquisadores, famílias e visitantes de diferentes regiões em torno de uma experiência estética e intelectual.
A itinerância da Bienal em Goiás é fruto de uma parceria entre o Governo de Goiás e a Fundação Bienal de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Secretaria da Retomada. O projeto integra o programa itinerante criado pela Fundação há 15 anos, com o objetivo de descentralizar o acesso à produção artística contemporânea e levar parte da Bienal a cidades fora do eixo tradicional de circulação cultural do país.
Com o título “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, a 36ª Bienal propõe uma reflexão ampla sobre deslocamentos, fronteiras, pertencimento, convivência e escuta. A exposição parte da ideia de que a humanidade se constrói na relação com o outro, em processos permanentes de encontro, negociação e travessia.
O conceito curatorial foi inspirado no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo, cuja obra atravessa temas como memória, ancestralidade, território e identidade. A partir desse ponto de partida, a Bienal desenvolve uma narrativa que coloca em evidência diferentes formas de caminhar pelo mundo — físicas, afetivas, sociais, políticas e simbólicas.
A curadoria geral é assinada por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, um dos nomes mais respeitados da cena internacional de arte contemporânea. O projeto também conta com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza, a cocuradora at large Keyna Eleison, além dos cocuradores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei.
Em Goiânia, o recorte apresentado ao público foi desenvolvido por Thiago de Paula Souza e estabelece um diálogo direto com o território goiano. A proposta aproxima a mostra de questões regionais e valoriza artistas que mantêm relação com Goiás, como Sallisa Rosa e o Sertão Negro.
Essa conexão entre o local e o global é um dos pontos mais fortes da exposição. Ao mesmo tempo em que apresenta artistas de reconhecimento internacional, a mostra também evidencia que Goiás produz pensamento, linguagem e arte contemporânea em sintonia com os grandes debates do presente.

No MAC Goiás, os visitantes têm acesso a obras de 14 artistas nacionais e internacionais, entre eles Adama Delphine Fawundu, Akinbode Akinbiyi, Alberto Pitta, Ernest Cole, Gervane de Paula, Hajra Waheed, Julianknxx, Juliana dos Santos, Márcia Falcão, Ming Smith, Oscar Murillo e Song Dong.
As obras expostas atravessam linguagens diversas, como fotografia, instalação, pintura, vídeo, escultura e produção sonora. Em comum, elas compartilham uma preocupação com deslocamentos humanos, memória, violência, identidade, migração, espiritualidade e formas de resistência cultural.
Ao receber a Bienal, Goiás também reforça uma política de valorização da cultura como instrumento de formação e cidadania. O expressivo público registrado no MAC demonstra que existe demanda por exposições de grande porte e que a arte contemporânea pode dialogar com diferentes perfis de público quando encontra espaços de mediação, acesso gratuito e conexão com temas da vida cotidiana.
A experiência da Bienal em Goiânia deixa ainda um legado simbólico: a percepção de que o Estado pode ocupar, de forma mais permanente, um espaço relevante no circuito cultural brasileiro. Em um momento em que as discussões sobre identidade, território, diversidade e pertencimento ganham centralidade, a presença da Bienal em Goiás funciona também como um gesto de reconhecimento da potência cultural do Centro-Oeste.
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